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Carlos Lyra, formidável melodista, fica na história como um dos maiores compositores do Brasil



Ao morrer aos 90 anos, artista carioca deixa cancioneiro associado à bossa nova, mas obra foi além do movimento que o consagrou nas décadas de 1950 e 1960. ♪ OBITUÁRIO – Qualificar Carlos Eduardo Lyra Barbosa (11 de maio de 1933 – 16 de dezembro de 2023) como um dos grandes nomes da música brasileira – um compositor extraordinário, criador de belas melodias que beiram o sublime – é clichê inevitável. A morte do artista carioca na madrugada deste sábado, 16, aos 90 anos, tira de cena um nome fundamental da bossa nova, mas que procurou transcender essa bossa, como explicitou no título do excelente álbum de músicas inéditas que lançou em 2019, Além da bossa. Basta ouvir as seis mais famosas parcerias do compositor com o poeta Vinicius de Moraes (1913 – 1980) – Coisa mais linda (1961), Você e eu (1961), Marcha da quarta-feira de cinzas (1963), Minha namorada (1964), Primavera (1964) e Sabe você (1964) – para ficar evidente que Carlos Lyra fazia mesmo jus aos elogios superlativos de ninguém menos do que Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994). O maestro soberano sempre fez questão de enaltecer as melodias de Lyra. Compositor da primeira geração da bossa nova, Lyra fez a primeira música em 1954, Quando chegares, e dois anos depois foi revelado publicamente como compositor na voz de Sylvia Telles (1935 – 1966), cantora que gravou Menino em disco editado em 1956. Três anos depois, em 1959, Lyra seria precocemente consagrado por João Gilberto (1931 – 2019), o papa da bossa. João incluiu duas músicas de Lyra no repertório do primeiro álbum do criador da bossa, Chega de saudade (1959). João Gilberto gravou Maria ninguém e Lobo bobo, título mais popular da parceria de Lyra com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994), geradora de standards como Saudade fez um samba (1989), Canção que morre no ar (1960) e Se é tarde me perdoa (1960). Carlos Lyra ganhou respeito como compositor no universo da bossa nova, mas soube ir além dos cânones do movimento. No samba Influência do jazz (1962), o compositor dissertou com fina ironia sobre o quanto de jazz podia haver na bossa brasileira. Já em 1960, Lyra procurou engajar a bossa, tocando em questões sociais. Tornou-se quase um dissidente do movimento ao compor a trilha sonora da peça A mais valia vai acabar, seu Edgar (1960), texto do politizado dramaturgo e diretor paulistano Oduvaldo Vianna Filho (1936 – 1974), o Vianinha. Como cantor, Lyra lançou o primeiro álbum em 1959, intitulado Bossa nova. Fez outros discos importantes no Brasil e, quando a bossa perdeu impulso na era dos festivais e no reino da Jovem Guarda, o artista partiu para o México, onde morou de 1968 a 1971. Na volta ao Brasil, Carlos Lyra abriu parcerias com Chico Buarque e Ruy Guerra, renovando o repertório autoral em álbuns como …E no entanto é preciso cantar (1971), Eu & elas… (1972) e Herói do medo (1975). Mas nunca reeditou o sucesso das décadas de 1950 e 1960. A partir dos anos 1980, para sobreviver no mercado, o artista aderiu aos periódicos revivals do cancioneiro da bossa nova em discos e shows, mas também abriu mais parcerias – com nomes como Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro – e lançou eventuais álbuns de músicas inéditas como Carioca de algema (1994) e o já mencionado Além da bossa (2019). Contudo, o cantor, compositor e músico jamais ficou dissociado da bossa nova pela força do imbatível repertório inicial, criado com a marca de um compositor realmente formidável, como enfatizava Tom Jobim.

Fonte: G1


16/12/2023 – Rádio Contato Vistoria

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